Silvio Berlusconi descreve-se como “o segundo, a seguir a Napoleão, na história política da Europa”. Confirmam-se as minhas suspeitas de que a figura nunca ouviu falar de Churchill.
Também em Itália, celebra-se, no Parlamento, a derrota de Romano Prodi (e respectiva demissão) com champanhe. Polícias são forçados a retirar as garrafas aos deputados. Se cá sucedesse tamanha cenaça, suspeito que Pacheco Pereira teria um enfarte. E, em boa verdade, eu também não andaria lá longe.
Arquivo de Janeiro, 2008
“Mamma Mia!”
Janeiro 26, 2008Já Não Estamos Esclarecidos!?
Janeiro 26, 2008Marinho Pinto alerta para o que já toda a gente sabe: que existe corrupção nas mais altas esferas do Estado. Os partidos insurgem-se e pedem que esclareça. É óbvio que não pode (nem vai) esclarecer nada. Os fenómenos para os quais alertou o bastonário da Ordem dos Advogados sucedem-se on a daily basis graças a legislação totalmente ineficaz nesta matéria; bastava, por exemplo, impedir que funcionários da AP que exercem altos cargos do Estado fossem impedidos de exercer funções de administração em empresas privadas com as quais a AP celebrou actos de adjudicação e contratos do género para se acabarem com as frescuras. Pode muito bem acontecer que as coisas não sejam assim tão lineares, mas tem de se começar por algum lado.
“Acha que Este Governo o Aumentou o Suficiente?”
Janeiro 26, 2008Uma sondagem do “Público” pergunta-nos se “nos sentimos suficientemente esclarecidos sobre os argumentos do Governo para a reestruturação das urgências”. É uma questão pertinente, mas a que, obviamente, 83% dos 3158 votantes responderam que não. Não percebo a necessidade de um jornal como o “Público” insistir em colocar estas questões de forma demagógica: é do mais elementar senso comum que qualquer questão que comece por “sente-se suficientemente” (ou até: “concorda com”) e em que se siga uma medida polémica do Governo (seja ele qual for) terá resultados deste género. É por isso que existe uma proibição constitucional de referendar, por exemplo, matérias de cariz tributário (ou seja, propícias à demagogia).
Flexigurança: Flexisegurança, Flexidiotice?
Janeiro 26, 2008Há muito que ando a ouvir este termo mas parece-me que só agora é que ele vai estar na ribalta. Flexigurança, como o próprio nome sugere, é um meio termo entre flexibilidade e segurança no mundo do trabalho. Os “pugtugueses” vão ouvir falar nela nos próximos tempos, pois é uma reforma que vem na sequência da Estratégia de Lisboa (aumento da competitividade / coesão social) e assemelha-se já incontornável.
Resumidamente, a Flexigurança cumpre a ideia da Lisbon’s Strategy e traduz-se num modelo a aplicar no emprego em que as empresas terão maior facilidade nos despedimentos e, em contrapartida, o trabalhador, enquanto desempregado, terá direito a um subsídio “especial de corrida” que permite que este se sustente até reencontrar uma solução que o retire do desemprego. Com isto pretende-se dotar as empresas de facilidades de adaptação aos ciclos de produção, sem custos para o trabalhador. A ideia não é má e foi inventada na Dinamarca, o actual campeão europeu do emprego.
Numa primeira olhada, a solução aplicada em Portugal parece-me o ideal para quebrar com a actual legislação do emprego, que protege excessivamente o trabalhador e impede a entrada, regular, das ideias novas dos recém-chegados ao mercado de trabalho. O consumidor só tem a ganhar, tome-se o exemplo das low-cost que só poderiam estar sediadas (sobretudo) em Inglaterra onde as leis do emprego são das mais flexíveis.
Por outro lado, creio que, para não variar, é uma reforma que vai entrar “às três pancadas”. Em primeiro lugar, é preciso que o governo comece por perceber que os modelos não podem ser copiados na íntegra, pelo que é necessário atender às características do nosso país. Aliás, histórias como “empresas na hora” (copiado da Finlândia), só está a sobrecarregar os notários de trabalho, uma vez que ninguém explicou aos “empresários na hora”, que pretendem só comprar uns telemóveis e carros “em nome da empresa”, que não podem desfazer a sociedade tão rápido como a criaram. Neste caso de que agora falamos, não vejo, por exemplo, até onde é que a nossa, já por si fraca, segurança social pode ser esticada para suportar este modelo. Retomando o exemplo das low-cost, estas são consideradas por muitos como criminosas, pelas péssimas condições de trabalho em que deixam os empregados.
O que se pretende então do governo, é simples: calma. Viu-se a encrenca que se gerou em França com o Contrato do Primeiro Emprego (CPE), numa primeira tentativa de introduzir a flexigurança, em que os manifestantes exigiam, calmamente, a cabeça de Villepin (primeiro-ministro). Mesmo na Dinamarca, ainda ninguém sabe explicar a coincidência que é o crescimento da extrema-direita logo após a introdução da flexigurança. Ainda, não se pode declarar, pura e simplesmente, um novo modelo sem haver antes um diálogo consertado entre governo, empresas e sindicatos - sendo que estes últimos já se apressaram a anunciar o “fim do emprego para a vida”.
Esperemos para já o anúncio oficial do governo.
A Bela Final(*)
Janeiro 25, 2008

Edwards ganha pontos…(*)
Janeiro 25, 2008
(*) como bem lembra o “blogger profissional” Daniel Oliveira
A ler…
Janeiro 25, 2008George Soros sobre a crise do Subprime.
Soros esteve presente no World Economic Forum, juntamente, entre outros (de que nunca tinha ouvido falar), com Joseph Stiglitz, Prémio Nobel da Economia há uns anos. Lá, discutiu-se o papel dos Bancos Centrais nesta crise, que vêm o seu papel de executores da política monetária constrangido pela procura do estímulo dos mercados, sem no entanto poder descurar a inflação.
Neste artigo, o autor desenvolve um pouco mais a ideia, apresentando-se como um crítico da ideia de equilíbrio da economia de mercado. No blogue de esquerda Ladrões de Bicicletas é apresentado como “um dos mais conhecidos especuladores, agora transformado em filantropo e crítico do «fundamentalismo de mercado”, o que, para ser sincero, não me custa nada a acreditar.
Contras e Contras
Janeiro 25, 2008
O último Prós e Contras, sobre a proibição do fumo, foi digno de registo.
De um lado estavam Francisco George, Director Geral de Saúde e Constantino Sakellarides, Director da Escola Nacional de Saúde Pública.
Do outro, encontrávamos Maria de Fátima Bonifácio e Sá Fernandes.
O debate começou com os dois opositores à Lei a verbalizarem a ira que lhes enchia a alma. Os senhores da saúde (inexplicavelmente o Governo não estava representado) tentavam defender as proibições. Do outro lado, contudo, Maria de Fátima Bonifácio - uma senhora com quem não desejaria jantar - vociferava, vermelha como um pimento, pérolas como: “não está provado que o fumo do tabaco faça mal (aos fumadores passivos)” e “as crianças deviam ser proibidas de estar em restaurantes” (deu para ver que estudou previamente o “mestre” Miguel Sousa Tavares) e Sá Fernandes, no seu jeito desconexo e trapalhão (o fio lógico do discurso daquele homem é pouco menos que um novelo) soltava “oiça lás” e “desculpe lás” em direcção ao incauto Francisco George .
Entretanto, Constantino Sakellarides, homem de uma candura a toda a prova, tentava por alguma água na fervura, propondo-se a contar aos presentes uma história (como quem lê uma fábula ao filhote) que, pretendia ele, culminaria em beleza com a aceitação de todos da justiça (e até da estética) da Lei do Tabaco. Escusado será dizer que o senhor não teve tempo de terminar a narração do seu bonito conto, pois o inflamado Sá Fernandes atiçou-se mal ouviu pronunciar a palavra charuto.
Se a dupla que se opunha à Lei já começava a temer pela sua saúde cardíaca, mais desesperou quando foi lançado o tema da regulação quanto à extracção de ar. Mas desta feita com razão. Se o representante da ASAE metia os pés pelas mãos em relação à interpretação da legislação (segundo ele, bastava aos donos dos estabelecimentos apresentarem o comprovativo da instalação do sistema por parte do técnico, visto os requisitos exigidos ainda não estarm definidos. À portuguesa, portanto.), Francisco George não lhe ficava muito atrás. Ainda se socorreu vagamente de uns números (para inglês ver) que trazia de casa, mas rapidamente Sá Fernandes o interceptou e ficaram alegremente, até ao fim do programa, a discutir, quais técnicos, percentagens de monóxido de carbono no ar, e outros temas do senso comum.
No fim, ficou clara a noção de que este programa não pretendia inicialmente, de modo algum, alcançar um consenso. Se tinha esse objectivo, fez a escolha errada, pois nenhuma daquelas personagens vinha com intenção de dali sair com uma linha que fosse do seu discurso alterada. E felizes foram, então, para casa. Fumar umas cigarradas, certamente.
P.S. Se há algo que neste programa se mantém invariavelmente é a relação amor/ódio da sua fabulosa apresentadora, Fátima Campos Ferreira, com o público. A senhora gosta muito de os ter lá, “mas não aplaudam tanto, por favor!”, diz no seu jeito inseguro.
Playing God
Janeiro 25, 2008Uma equipa do Instituto J. Craig Venter, nos EUA, revelou hoje que conseguiu dar mais um passo crucial para criar vida artificial no laboratório. No centro das atenções está uma minúscula bactéria, cujo ADN é formado apenas por um cromossoma…”
in Público
Vox Pop II
Janeiro 24, 2008Sabe-me distinguir efeito conformativo de efeito reconstrutivo das sentenças anulatórias?