Marketing Político

By António P. Neto

Luís M. Jorge e João Pinto e Castro, dois reconhecidos profissionais do branding e do marketing em Portugal, iniciaram uma interessante discussão sobre se existe, ou não, aquilo a que se tem chamado de marketing político, sendo que se entende por marketing político (e corro o risco de cometer algumas imprecisões) a acessoria que se presta a políticos ao nível do protocolo, do aconselhamento de imagem, da postura, da conveniência e adequação dos discursos, entre outras técnicas (lançar mão de determinada medida em determinada altura; fazer determinado comentário em determinada circunstância, etc.).Para J. Pinto e Castro, marketing e política são dois mundos diametralmente opostos: “(…) tenho alguma experiência de actividade política e alguma experiência de gestão de marketing, e é por isso mesmo que me tornei altamente crítico do marketing político. Naturalmente, aconteceu-me usar numa área algumas coisas que aprendi na outra; mas não me passa pela cabeça fazer marketing com ideias políticas ou política com conceitos de marketing…”. Já para Luís Jorge, “(…) uma boa parte da política não se faz com ideias, faz-se com actores e com recursos…”. A argumentação é convincente dos dois lados: para o primeiro, os políticos não necessitariam de técnicas de marketing, e Churchill, Clinton ou Mário Soares seriam exemplo disso. Somos forçados a concordar. Mas imediatamente nos é dado o reverso da medalha: e Bush? Haverá exemplo mais paradigmático do político que não pode dispensar estes recursos, já que, mesmo recorrendo flagrantemente a eles, comete, quase diariamente, gafes imperdoáveis? Ou até mesmo Sarkozy, com o seu temperamento irascível?

O resto da discussão centra-se em aspectos mais ou menos técnicos do conceito (altura em que um leigo como eu sente não estar munido de conhecimentos suficientes para a acompanhar). Mas podemos já iniciar algumas reflexões com o que já obtivemos: na linha de Pacheco Pereira, será mera coincidência o timing das declarações de Sócrates relativamente ao Tratado de Lisboa (e este é apenas um exemplo)? E serão, também, coincidência, todas as acções recheadas de computadores, painéis interactivos, powerpoints e figurantes (que aparentemente nem sequer sabiam muito bem ao que vinham) com que fomos brindados durante a tentativa de divulgação/ concretização do chamado choque tecnológico (e não estaremos aqui, também, descaradamente, perante um conceito saído do branding)?

Outro exemplo, também recente: quem assegura os festejadores de eleições antecipadas para a Câmara de Lisboa? Serão apenas as máquinas partidárias?

A um observador comum parecem não restar dúvidas de que a maior parte das acções de campanha e aparições em público estão programadas detalhadamente por agências de comunicação. Até porque, pensando bem, um político nada teria a perder com isso: apenas a ganhar. Resta saber se os pressupostos são eticamente válidos; mas creio que isso é tema para outra discussão…

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2 Respostas para “Marketing Político”

  1. Mr WordPress Diz:

    Hi, this is a comment.
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  2. Capítulo II - Marketing Político vs Marketing Eleitoral « REALIDADES MANIPULADAS Diz:

    [...] A mentira como instrumento de marketing político [...]

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