O Governo australiano vai pedir desculpas à população indígena.
Durante 10 anos, o governo de John Howard recusou-se, teimosamente, a fazê-lo. O pedido de perdão aos aborígenes é algo semelhante ao reconhecimento por parte da Igreja (há uns anos, pelo Papa João Paulo II) dos crimes da Inquisição.
Os Aborígenes habitam a Austrália há 50000 anos – ou seja, cerca de 49800 mais que os actuais e “europeus” habitantes. No entanto, isto não impediu os colonizadores de, bem ao estilo britânico, primeiro, os tratarem como seres inferiores e, portanto, sem quaisquer direitos (matar um aborígene era, durante o século XIX e parte do XX um crime sem qualquer punição – aliás, nem sequer era considerado como tal); e, posteriormente, terem tentado um processo de assimilação (continha por base o conceito “irrefutável” de que, visto estes terem uma cultura inferior, ser lógica “obrigação” dos “civilizados” educá-los), que consistia, entre outras medidas, na entrega, para a adopção por famílias brancas, de crinças indígenas.
Convém realçar que os Aborígenes são donos de uma cultura ancestral e muito própria, cujos valores deveriam ser, no mínimo, respeitados e, mais que isso, são superiores aos nossos em muitas vertentes. Compreende-se, assim, quão presunçosa foi a colonização europeia ao desprezar a sua cultura.
Mais, este povo é uma raridade. Nenhuma outra cultura é capaz de explicar as fontes deixadas pelos seus antepassados há dezenas de milhares de anos, com base numa cultura que se mantém desde esses tempos, num fio cronológico não quebrado (que não existe, nem de perto, em qualquer país europeu)!