Depois de um debute frágil para as pretensões de José Pacheco Pereira, a segunda edição do “Ponto contra Ponto” consegue mostrar a utilidade do programa. Destacaria dois pontos (passe a redundância).
Primeiro, a revolta contra o ‘comentarismo’ supostamente imparcial, quase divino. Só isso seria suficiente para JPP subir uns pontos na minha consideração (aliás, já de antemão o considerava um dos poucos que, se não defendem, praticam um comentário político honesto).
Segundo, a análise cuidada do diferente tratamento dado pelos vários jornais à divulgação dos dados sobre o número de vendas. Quem nunca se irritou com a desonestidade com que os jornais e revistas analisam as suas vendas, sempre tentando colorir os resultados? Por exemplo, ao ler a Sábado aqui há uns anos reparava sempre como esta revista, não obstante estar bem atrás da Visão, relevar sempre o crescimento superior das suas vendas ao longo de determinado período específico. Mas há pior, os jornais/revistas que perdem em toda a linha e o omitem grosseiramente.
JPP chama, bem, a atenção para o evidente paralelismo entre o tratamento dado aos resultados pelos jornais e pelos partidos políticos. Em boa verdade, aliás, os jornais conseguem superar os partidos. Nas eleições há sempre pelo menos um partido a perder (sendo que nunca é, nem será, o PC, que vive acumulando “vitórias do proletariado” há 35 anos).
Gilberto era um esquilo prudente, que se resguardava na sua toca, escavada numa árvore bem grossa. Nunca saía, com medo que lhe roubassem as bolotas. Até ao dia em que percebeu que sair da toca poderia equivaler a… mais bolotas. Nesse dia, saiu, e descobriu um mundo admirável, em que ministros fazem cornos no parlamento. E ficou muito indignado. Ora, se Gilberto tivesse saído da toca há mais tempo, ia descobrir que a Madeira, por exemplo, é uma ilha pródiga em cenas do género. Esperemos que, caso alguma aconteça nos próximos tempos, Gilberto saia da toca com a mesma facilidade… Há tanta coisa para o Gilberto descobrir!
“Normally, labor markets lag the economy because incremental spending transactions are financed via debt, stimulated by interest rate cuts. But as long as credit remains frozen and in a deleveraging environment, job growth becomes an important leading, causal indicator of demand and other economic conditions. The deterioration in labor market will continue because companies’ profit margins are so deeply damaged (amid slowdown in consumer spending and credit crunch) that a little bounce in growth won’t do much to alter their need to cut costs.”
Enquanto portista,venho aqui manifestar o meu desejo veemente de que Vieira fique como presidente do Benfica de forma vitalícia (será também a única forma de evitar ser preso, como aconteceu com Vale e Azevedo). E, pelo que vejo, em função do défice intelectual de muitos benfiquistas, parece que isso se vai comprovar.
Por um lado, confiam cegamente no Vieira (mesmo com os seus três brilhantes terceiros lugares e um quarto nos últimos quatro anos e um título com uma pontuação que, em qualquer outro ano, nem para ficar em 2º tinha dado), nas suas supostas rotas de vitória, nos seus pseudo-projectos brilhantes, nos seus discursos épicos e de exaltação nas pré-épocas, nos seus engodos optimistas, no alarmismo dos inimigos do Benfica comerem o clube, na forma de afastar responsabilidades nos fracassos falando do sistema, na “melhor equipa de sempre do Benfica”, …. Por outro, ameaçam o candidato da oposição, Bruno Carvalho (também é capaz de ser um aldrabão, não sabemos), porque não lhe reconhecem suficiente benfiquismo, por o acharem um paraquedista no clube. Ou seja, já se esqueceram que há uns 12 anos o senhor Vieira festejava entusuiasticamente as derrotas do Benfica nas Antas ao pé de Pinto da Costa. Pormenor sem importância…
Por outro lado, há algo em mim que não deseja que Vieira continue no Benfica. É que me dá pena e causa-me algum incómodo, essencialmente em relação a alguns benfiquistas inteligentes que definitivamente não merecem um tal atestado de burrice.
A melhor coisa que aconteceu na televisão portuguesa nos últimos anos foi, sem dúvida, a criação dos canais de notícias. Esta “operação”, que culminou com o recente lançamento da TVI24 (espantosamente, o melhor dos três) veio não só acrescentar espaço a programas noticiosos e de debate como separar claramente os conteúdos entre estes canais e os originais.
Esta política tornou Portugal num dos países europeus em que a informação tem mais preponderância. Regozijo-me por isso.
1. Sinal dos tempos. Um péssimo ministro (Manuel Pinho) sobreviveu a tudo. Caiu no fim porque ficou mal na fotografia.
. Daniel Oliveira
2. Sem um pingo de ironia vos digo: não me parece que a atitude de Pinho seja assim tão tão grave. No meio do circo que a Assembleia da República se tornou, com “muito bens” e aplausos forçadíssimos a tudo o que os companheiros ou camaradas de partido dizem e críticas igualmente forçadas a muitas das coisas que os adversários referem (quando estão atentos, às vezes nem isso), com gozos, sorrisos cínicos, discursos trauliteiros, faltas às discussões e às votações e mais um sem número de coisas que revelam sentido de estado abaixo de zero (basta ligar a televisão num debate parlamentar qualquer para ver um pouco de tudo isto), este é mais um exemplo da podridão que se tornou a casa da democracia portuguesa