“O Anticristo” de Lars Von Trier

Fevereiro 9, 2010 por João Torgal

Lars Von Trier é largamente reconhecido pela forma directa e polémica como aborda, nos seus filmes, causas sociais controversas, revelando uma capacidade magistral em manipular as emoções do espectador, persuadindo-o instintivamente, nem que por instantes, a apoiar as suas convicções pessoais. Foi assim com a questão da eutanásia em “Ondas de Paixão”, com a pena de morte no brilhante anti-musical “Dancer in the Dark” ou com o egoismo e a crueldade da condição humana em “Dogville”, primeiro capítulo da inacabada e irónica trilogia”America: land of the opportunities”. Dado o título e levando em linha em conta os predicados referidos anteriormente, era com grande expectativa que se aguardava por este ”O Anticristo”.

O prólogo do filme é, desde logo, muito à medida de Von Trier, com uma toada verdadeiramente bipolar, numa confluência altamente sinistra entre o carácter idílico e religioso da música de Handel e a evolução perturbadora da cena, finalizada com o fatal acidente de um bebé, a ocorrer em simultâneo com o climax da relação sexual dos seus pais (o falso ambiente tranquilo e bucólico que, depois de um aura negra premonitória, redunda em tragédia é definitivamente outro dos traços habituais na obra do realizador dinamarquês). Na primeira parte do tronco do filme, surge a ideia de que este se vai centrar no retrato duro e cru do sentimento de perda, do luto , da dor e do desespero profundos (os três capítulos principais da obra), personificada pela figura feminina (tal como em ”Ensaio sobre a Cegueira” de Saramago ou “A Estrada” de Cormac McCarthy, as personagens não têm nome), brilhantemente interpretada por Charlotte Gainsbourg. E, em boa parte, o filme é sobre esta temática e sobre a terapia consequente, desenvolvida pelo marido (Willem Defoe), psiquiatra de profissão, para a libertar desse estado psicologicamente devastador e dos seus medos e anseios negativos mais extremos. No entanto, a lógica do argumento extrapola muito estas questões, abordando, tal como o nome indicia, aspectos como a religiosidade ou a figura do Satanás e o papel da Natureza e da figura humana em toda essa mitificação do além. O principal problema está na forma de pôr em prática estas temáticas. Ao contrário do que sucedeu nas principais obras-primas do realizador, fico com a sensação de que neste filme Von Trier foi longe de mais. Essencialmente porque, ao invés do que sucede com a parte da sua obra que eu conheço e que venero, não há a percepção de um mensagem, de um substrato, de uma moral que justifique esta abordagem tão negativista e que afaste a violência física (que é considerável) e psicológica (terrivelmente marcante) extremas de uma certa gratuitidade bem dispensável. Pecado suficiente para diminuir bastante o filme

Concluindo, “O Anticristo” é seguramente uma experiência psícótica extremamente devastadora e agoniante, que dificilmente deixará alguém indiferente, mas isso não é suficiente para que a considere uma obra cinematográfica de grande relevo. Num filme que gera facilmente opiniões extremadas, desde ódios viscerais a rendidos elogios, como prova a reacção tão diversa que obteve em Cannes, fico-me pelo meio termo. Von Trier não saberá fazer filmes medíocres e, como tal, não foi uma desilusão avassaladora, mas tamém não creio que esta longa-metragem esteja sequer perto do nível dos seus melhores trabalhos enquanto cineasta.

Fevereiro 8, 2010 por António P. Neto

A melhor música que ouvi nos últimos tempos…

Fevereiro 8, 2010 por José Maria Pimentel

O “nosso” Benfica

Fevereiro 7, 2010 por João Torgal

Depois de praticamente não ter investido no início da época (apenas 25 milhões, sem vender ninguém), o Benfica foi o terceiro clube europeu que mais gastou em Janeiro em contratações. Assim sendo, dado todo esta despesa e sendo o 2º ano consecutivo que o clube não marca presença na Liga dos Campeões, torna-se verdadeiramte imprescindível que o “nosso” Benfica seja campeão este ano. Concordo totalmente com esta ideia, porque com a crise económica que vivemos, não seria nada agradável para o ano termos de pagar ainda mais impostos só para salvar um clube de futebol. A única coisa que contesto é que não se assuma isso de forma clara. 

As decisões polémicas dos árbitros (penaltys inventados a seu favor, expulsões das equipas adversárias em catadupa, penaltys perdoados contra, de tudo um pouco tem acontecido) têm sido apenas um pequeno passo. Agora, temos os casos dos túneis em que, pelos vistos, só os jogadores das equipas adversárias é que estiveram envolvidos. Os primeiros visados foram os jogadores do FC Porto no jogo de Dezembro e, ultimamente, os alvos foram os jogadores do Braga. Neste caso, foi-se mesmo bem longe. Por um lado, porque na altura foi expulso um jogador de cada equipa e os castigos foram só para uma das equipas (certíssimo). Por outro, porque o relatório do árbitro não refere agressões nenhumas dos jogadores castigados e as imagens de vídeo não podem servir de prova. Mas isso também tinha solução para não ser tão descarado: bastava que se acrescentasse uma alínea no regulamento a prever que se pudessem flexibilizar as leis sempre que estivesse envolvido o clube do Estado (Benfica), não custava nada. Finalmente, a decisão foi anunciada dia 2 de Fevereiro, um dia depois do fecho do mercado de transferências, não fosse o Braga se tentar reforçar e ter o desplante de lutar com mais argumentos pela conquista do título. Para terminar, destaco a exibição de ontem do central Zoro, jogador emprestado pelo Benfica ao Setubal. Para além de estar envolvido no auto-golo e de ser responsável por aquela falta ridícula e completamete despropositada que originou o penalty a favor do Benfica, foi a léguas o pior em campo do Setúbal. De modo intencional ou de forma meramente instintiva, é claramente digno do maior elogio que um camaronês tenha tido um noção tão forte do verdadeiro interesse nacional que é o Benfica ser campeão. Só falta mesmo uma espécie de Estádio do Algarve em apoteose, como em 2005, para fechar com chave de ouro este campeonato.

Tal como disse anteriormente, só não percebo porque é que a Liga não assumiu logo no início do ano que, acontecesse o que acontecesse, o Benfica iria ser sempre campeão, em vez de fingir que as coisas vão ser decididas dentro do campo. Se fosse assim, estava tudo correcto. Não só pelo lado financeiro, mas também porque iria deixar milhões de portugueses satisfeitos e, portanto, o país ficaria mais feliz. E, se calhar, até adeptos de outras equipas iriam encontrar aspectos extra para não se incomodarem com a vitória do Benfica. Eu, por exemplo, para além dos motivos anteriormente expostos, teria ficado de imediato particularmente contente pelo sucesso desportivo do meu conterrâneo de Múrcia…

                                            JAVI GARCIA

Imprecisão no teste intermédio do 9º ano

Fevereiro 3, 2010 por João Torgal

Reparei nisto há pouco. Trata-se do Teste Intermédio de Matemática do 9º ano, realizado hoje.

Analisemos a pergunta 8 (é uma simples análise de gráficos, pelo que um simples leigo na matéria poderá perceber a questão e a imprecisão – para que isso aconteça vou tentar não usar terminologia técnica, para ser do entendimento de todos). No caso, é a versão 2, mas a situação é análoga na outra versão.

          Claramente só a resposta C poderá ser a resposta correcta. As opções A e B não são as correctas porque na parte final o ritmo do aumento da altura não é constante. Quanto à opção D, esta também não é a opção válida porque naturalmente é suposto a altura aumentar e não diminuir com o tempo. Assim sendo, resta-nos a opção C. Tal como é suposto, o gráfico traduz o crescimento da altura a um ritmo constante na fase inicial (segmento de recta) e inconstante na fase final (curva). A questão é que no momento em que o reservatório se torna mas estreito, é suposto que o ritmo do crescimento da altura seja sempre progressivamente maior e portanto que a curva seja mais próxima de uma recta vertical. Ora, se olharmos bem, vemos que há inicialmente uma diminuiçáo desse ritmo, como se o reservatório começasse por alargar, o que manifestamente não acontece.

Concluindo, pode não ser um erro de palmatória, daqueles que se notam descaradamente (mal parecia), mas não deixa de ser de lamentar que mais uma vez uma prova nacional contenha lapsos.

Podiam Fazer uns Enchidos do “Dear Leader”

Fevereiro 2, 2010 por António P. Neto

“Fome provoca motins na Coreia do Norte”

in Público

Petição por Mumia Abu-Jamal e contra a pena de morte

Fevereiro 1, 2010 por João Torgal

Mumia Abu-Jamal é  um dos mais famosos condenados à morte existentes nos Estados Unidos da América. Lutador incansável pela causa anti-racista, foi incriminado em 1982 por ter supostamente assassinado um polícia em Philadelphia, quando este espancava violentamente o seu irmão. Segundo relatos diversos, o processo foi marcado por enormes irregularidades e por um lógica de profunda discriminaçáo e racismo, uma realidade dramática com uma tradição histórica nos estados mais conservadores norte-americanos (o Mississipi é um dos exemplos mais paradigmáticos). No fundo, é o lado negro da America do sonho, da liberdade e do progresso, tão bem ironizada por Lars Von Trier na inacabada trilogia “America – the land of the opportunities”.

Depois de um caminho sinuoso para travar o processo, marcado por obstáculos bem perversos, pelo activismo de Mumia na defesa dos direitos humanos, por diversas manifestações populares e por fortes apelos de clemência das mais variadas instituições e personalidades famosas, esta condenação à morte foi cancelada em 2008, sendo transformada provisoriamente em pena pérpétua e havendo lugar a um novo julgamento. No entanto, houve um volte-face nesta questão e essa decisão foi recentememte anulada. Neste contexto, surgiu no início deste ano uma petição  mundial, dirigida ao Presidente Barack Obama, para definiticamente salvar a vida de Mumia Abu-Jabal. Alguns dados complementares sobre este caso e o link para a petição podem se encontrados no seguinte endereço:

          http://cma-j.blogspot.com         

Para além desta situação particular, esta é mais uma oportunidade de denunciar a medida bárbara que é a pena de morte que, para além de outros argumentos fortes para a criticar, matou e continua a matar inúmeros inocentes um pouco por todo o Mundo, fruto de leis eticamente reprováveis, de manipulação de factos ou simplesmente de erros graves de justiça.

5 Anos

Janeiro 30, 2010 por António P. Neto

“A Mesa de Café” perfaz este mês 5 anos. Restam poucas semelhanças com o projecto original, na altura um blogue criado por “jovens” do secundário cheios de ideias e expectativas que a vida encarregou de amadurecer e confirmar erradas. Hoje não restam dúvidas que temos o nosso canto nesta enorme nuvem que dá pelo nome de “blogosfera”. Se não somos tão regulares/ assíduos como gostávamos é porque os afazeres (profissionais, já que alguns dos “jovens” já trabalham, graças ao ensino à Bolonhesa) vão tirando tempo para estas coisas. No entanto, subsiste, quanto a mim, o essencial. Alguém vai vendo algo que lhe interessa e vai mandando a posta. Uma coisa é certa: alguém vai ler, e mais não é preciso.

Um obrigado a todos os que nos lêem e a todos os que aqui escrevem. “Venham mais cinco!”

P.S.: E uma tainada para celebrar a data, não?

A Falácia da “Proximidade”

Janeiro 27, 2010 por António P. Neto

É comum ouvirmos os nossos (nossos da AAC, entenda-se) dirigente associativos falarem em “proximidade” com a Academia. Que é importante levar a AAC a todas as faculdades para que os estudantes conheçam os seus grupos e actividades.

Esta “política de proximidade” é de uma hipocrisia tremenda. Todos os anos surge um novo grupo de faculdade que a DG se encarrega de inserir nos “festejos”. A razão? Mais 20/ 30 votos. A consequência? Descrédito e abandono das secções e organismos da AAC, já que 50% das actividades extra-curriculares de que os estudantes dispõem são, hoje, proporcionadas fora da AAC  e impulsionadas pela própria DG e Comissões organizadoras da Festa das Latas e Queima das Fitas.

Nada de novo. Achei apenas por bem alongar este parágrafo do estudante João Ribeiro (jornalista d’ “A Cabra”) que felicito pela argúcia: “(…) o desconhecimento das actividades do nº1 da Padre António Vieira aumenta de ano para ano…”

Repararam…

Janeiro 25, 2010 por José Maria Pimentel

…como o Jô Soares ensaia um sofrível sotaque português no anúncio televisivo em que apresenta a sua Peça?

Deve ser de um modo igualmente ridículo que nós soamos quando tentamos falar “brasileiro”…