Marcha Pelo Ensino Superior

Novembro 16, 2009 por António P. Neto

Quem sente na pele todos os dias a crise em que os SASUC – Serviços de Acção Social da Universidade de Coimbra – estão submersos não tem razão para ficar em casa. Desta vez não tem.

O PM Mais “Azarado” de Sempre

Novembro 16, 2009 por António P. Neto

José Sócrates é, e penso ser possível dizê-lo, o primeiro-ministro mais azarado desde que há memória na história da democracia portuguesa. Tanto quanto sei, não houve nenhum primeiro-ministro até hoje vítima de mais “cabalas” e “perseguições” que este. Vejamos: desde que foi eleito em 2004, e sem nunca ser constituído arguido ou considerado culpado em nenhuma delas, já recaíram umas poucas suspeitas sobre o nosso PM. Assim de memória, podemos começar com a história da compra do apartamento da mãe e avançar para a rapidez com que uns projectos seus eram aprovados em determinada autarquia. E não esquecer a sua licenciatura, que até foi alterada no registo de deputados da AR. Tirada numa Universidade, entretanto encerrada, conhecida por conceder diversos favores ao PS. Entretanto, veio a lume uma fábula que envolvia o nosso primeiro, então ainda ministro do ambiente, num daquele que esteve para ser o maior caso de corrupção de que há memória nestes últimos anos: o Caso Freeport. Também por acaso, mentiu sobre o conhecimento da compra de parte da TVI pela PT. Agora sabemos que existem escutas que, na opinião de alguns juristas, denunciam alguns atentados ao Estado de Direito, entretanto “silenciadas”.

Junte-se a este caldo as figuras, sempre mais ou menos próximas de Sócrates, que vão singrando ou se vão queimando. Coelho na JP Sá Couto (que também por acaso não parece ser assim tão transparente). Vara arguido. Primo de Sócrates arguido.

Sócrates pode ser um modelo de rectidão e transparência, mas este pântano em que circula existe e já não dá para o manter muito mais tempo debaixo do tapete. Creio não ser preciso ser nenhuma Manuela Moura Guedes para o saber…

Sobre este assunto, ler este texto de Pacheco Pereira. Goste-se ou não, está tudo lá…

Sobre o Referendo

Novembro 16, 2009 por António P. Neto

Não concordo com a realização de um referendo relativamente ao casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. E apenas por uma razão: penso que a atribuição de direitos não deve ser sufragada, exceptuando os casos em que essa atribuição de direitos possa comprometer direitos de terceiros. No caso da interrupção voluntária de gravidez havia uma “zona cinzenta” – até do ponto de vista científico -  e o legislador optou por se esclarecer junto da população. A questão de fundo era apenas esta: saber se a população considerava um feto de 12 semanas uma vida humana. Assim, e seguindo a mesma linha consideraria idóneo a realização de um referendo sobre a eutanásia. Ou mesmo sobre a adopção por casais homossexuais. No fundo, são questões que ultrapassam a esfera política: envolvem direitos de terceiros e é importante um debate alargado sobre o assunto e o esclarecimento da população. O mesmo já não se pode dizer relativamente ao casamento entre pessoas do mesmo sexo: é uma questão meramente política, anunciada até no programa do governo eleito. Outra coisa que me surpreende é o tempo que se perde a falar deste assunto, principalmente com assuntos bem mais sérios a virem a lume todos os dias.

Resumindo, penso que o governo dispõe de toda a legitimidade para concretizar a medida, caso o entenda. É que se a moral pode ser volátil, o Direito não deve. É certo que na Suiça se fazem referendos até sobre taxímetros (é verdade), mas não creio que este seja o nosso modelo nem que deva ser.

Grandes Concertos 2009 – Oumou Sangare

Novembro 15, 2009 por João Torgal

Oumou Sangare, CC, 14 de Novembro de 2009

 

Oumou Sangaré é uma das divas e rainhas do wassoulou, estilo musical, cultura e região geográfica da África Ocidental, que engloba parcialmente alguns pedaços do Mali, da Guiné e da Costa do Marfim. Em 1989, com pouco mais de vinte anos, a jovem surpreendeu meio mundo com o seu disco de estreia Moussolou. Duas décadas depois, continua a mostrar atributos de compositora e intérprete de excelência, com o novo Seya, mais um dos grandes álbuns deste ano de 2009.

Foi este último, 5º de originais (se contabilizarmos a compilação Oumou de 2004, mas que incluía 8 temas nunca anteriormente gravados em disco), que serviu de pretexto para este concerto no CCB, uma produção da Uguru. Numa noite com jogo da selecção e concerto dos Depeche Mode em Lisboa e com preços algo elevados (entre os 18 e os 35 euros), foi um auditório a meio gás que recebeu a grande cantora do Mali. Sem surpresas, grande parte do alinhamento incidiu sobre o novo disco, com óptimas interpretações de temas como “Kounadya”, “Sounsoumba” ou “Wele Wele Wintou” (com pedido de acompanhamento vocal do público no refrão, mas de forma sóbria e breve, sem recorrer a técnicas artificiais e de gosto no mínimo duvidoso), num misto de ritmo e espiritualidade. Torna-se impressionante para o espectador a simplicidade e a forma apaixonada com que Oumou se apresenta em palco, quer seja na alma interpretativa com que se dedica aos temas, quer na naturalidade com que encara a postura de duas ou três mulheres da plateia que, conseguindo contornar a segurança do CCB, sobem para palco para dançar e para abraçar a maliana, quer na expressividade com que se dirige ao público. Neste contexto, apesar de eu não dominar a lingua francesa, a forma incisiva e pausada com que Oumou fez passar a sua mensagem, foi suficiente para perceber grande parte do conteúdo do seu discurso, com referências à riqueza cultural do seu Mali natal, à importância do amor e da comunhão entre culturas e raças como contraponto à intolerância, ao facto de África ser muito mais do que a fome e a guerra expostas na comunicação social, ao elogio da beleza, do charme e da energia da mulher africana ou, naturalmente, dado ser Oumou uma reconhecida defensora intransigente dos direitos das mulheres, à importância da igualdade e da complementaridade entre sexos.

A fechar da melhor forma possível a componente principal deste concerto, tivemos direito a uma versão extensíssima de “Yala”, com o público a levantar-se das cadeiras, e a acompanhar com o movimento do corpo e com as palmas o profundo ritmo da música e com direito a apresentação personalizada e prolongada dos elementos que se encontram em palco. Assim sendo, a acompanhar Oumou Sangare temos duas bailarinas e uma banda muito coesa, com um guitarrista, um baixista, um baterista e, em termos de instrumentos tradicionais, um djembé, um kamalen n’goni (tal como a kora, uma harpa com toques tipicamente africanos) ou uma flauta africana com importância significativa na sua música. Pena foi que, ao contrário do que aconteceu com Seun Kuti há cerca de três meses atrás, a acústica e a qualidade de som estivessem longe da perfeição, nomeadamente com uma equalização muito alta dos instrumentos e da própria voz de Oumou, provocando mesmo momentos de alguma estridência, completamente desajustados às naturais simplicidade e espritualidade referidas anteriormente.

Depois de um muito pedido encore, eis que Oumou e a sua banda voltaram para palco, para nos mostrar o lado mais introspectivo da sua música, através da recuperação de “Djorolen” do disco Worotan de 1996, numa espécie de curioso anti-climax, culminado com a devoção do público através de um caloroso e rendido aplauso de pé, próprio de quem está consciente de ter assistido a um óptimo concerto.

Para ouvir, fica este “Seya”:

Nota: Este texto foi originalmente elaborado para o blog do programa Artesanato Sonoro da RUC (www.artesanatosonororuc.blogspot.com)

“A Lição de Coimbra”

Novembro 12, 2009 por António P. Neto

Uma série de 3 vídeos publicados no Expresso.

O problema de ter o coração ao pé… do computador

Novembro 11, 2009 por José Maria Pimentel

…é que se dizem disparates destes. Tenho que concordar com o Daniel Oliveira (e, de resto, com toda a gente que comentou), isto deve ser a pior coisinha que tenho lido ultimamente. São tantas as coisas, que só mesmo lendo.

É sempre de desconfiar dum texto que começa por elogiar a “poltrona” que o José António Saraiva mantém semanalmante na Tabu…

A Universidade Que Se Deteriora de Ano Para Ano

Novembro 8, 2009 por António P. Neto

“A Universidade de Coimbra (UC) é a única portuguesa representada no ranking do Centro de Desenvolvimento Universitário, uma instituição independente alemã, sendo destacada a área da Psicologia (…)”

in IOL Diário (via Fantástico Melga)


Grandes concertos 2009 – Mulatu Astatke & The Heliocentrics

Novembro 8, 2009 por João Torgal

O Africa.cont é o recentemente criado centro de promoção da cultura contemporânea africana. Foi neste contexto que, no agradável espaço ao ar livre das Tercenas do Marquês, se realizou em Lisboa, no passado dia 26 de Setembro, esta iniciativa musical, com concertos de três projectos africanos bem distintos, sendo um deles o de Mulatu Astatke & The Heliocentrics

Multau Hastatke é um dos grandes mestres do jazz etíope, cujo trabalho se celebrizou no seu país de origem nos anos 60 e 70, mas em que a aclamação ainternacional só chegou na nesta década, quando Jim Jarmusch recuperou a sua música para o filme Broken Flowers de 2005. Este ano, Mulatu voltou aos lançamentos originais, em parceria com os Heliocentrics, a banda de apoio do mítico DJ Shadow. Trata-se de um álbum de fusão reforçada, isto porque se a música de Mulatu já é uma combinação entre o jazz e pormenores tradicionais africanos, a isto acrescenta-se agora o experimentalismo funk da banda britânica.

Confesso que das primeiras vezes que ouvi a música de Mulatu Astatke, quer a solo, quer com os Heliocentrics, não fiquei desde logo fã. A música que temos aqui está longe de ser simples e imediata e, no meu caso pessoal, a situação agrava-se por eu estar longe de ser fã de jazz. No entanto, é daquele tipo de música que se vai entranhando pouco a pouco, em que a paciência e a audição consistente são fundamentais para se perceber a magia subliminar e a perfeição estética que por aqui se encontra e que resulta em pedaços de verdadeira obra-prima musical.

Ao vivo, quem, como eu, esperava uma transposição para o formato ao vivo mais meditativa e ambiental, enganou-se profundamente. É certo que não temos aqui propriamente música festiva, que se adeque prioritariamente a uma lógica mais dançável, mas a verdade é que o ritmo e a cadência apelam a algum movimento do espectador. É um dos sinais do crescimento da música em palco, onde estão Mulatu e os cerca de dez elementos que compõem os Heliocentrics (percussões, sopros, teclados, baixo, guitarra ou violoncelo), que quer colectivamente, quer através de alguns pormenores individuais, como o profundo virtuosismo saído do vibrafone e das percussões de Mulatu, o psicadelismo dos teclados ou os devaneios experimentais do brutal violoncelista, tornam ainda mais grandiosos temas incríveis como “Cha Cha”, “Esketa Dance” ou “Yekermo Sew”, rebatizado como “Broken Flowers Suit” para o tal filme de Jarmnusch. Uma palavra para as condições de som: não sendo perfeitas e relevando alguns problemas, merecem ainda assim nota positiva, num espaço tão aberto e dada a necessidade de conjugar tantos instrumentos e sons tão distintos.

Concluindo, se Inspiration Information é aclamadamente um dos discos maiores de 2009, o concerto de Setembro foi também, um mês depois de Seun Kuti, mais um dos grandes concertos do ano em Portugal.

Fica para audição “Yekermo Sew”:

Nota: O texto completo sobre esta iniciativa do Africa.cont pode ser consultado no blog do programa Artesanato Sonoro da RUC (www.artesanatosonororuc.blogspot.com)

Nova Ligação

Novembro 6, 2009 por António P. Neto

União de Facto. Um blog “às direitas”. Porque sim.

Alec Baldwin e Steve Martin nos Óscares

Novembro 4, 2009 por António P. Neto

Fico contente com a decisão. Alec Baldwin não é apenas um excelente actor, é um óptimo comediante. Basta ver a sua prestação na série “30 Rock”, em que interpreta uma caricatura de Donald Trump (claro que contracenar com Tina Fey ajuda). De Steve Martin conheço pouco, mas estou certo que será uma boa dupla.